Caverna subaquática escondeu por milênios fósseis de ursos e lobos da Era do Gelo

Pesquisadores se surpreenderam com os achados, pois eles podem contar mais sobre a história natural das Américas.

Nas profundezas do poço subaquático Hoyo Negro, no México, uma equipe de mergulho recuperou crânios, ossos da mandíbula e outros restos mortais de duas espécies extintas da Era do Gelo. Os resultados, divulgados em 2019, trazem dúvidas e podem expandir o que se sabe sobre a história natural do continente americano.

O sistema de cavernas Sac Actun, na península de Yucatán, serve como depósito de tesouros arqueológicos desde 2007. Na época, cientistas encontraram os restos mortais de uma adolescente humana que vivia no local, hoje submerso, há cerca de 12 mil anos.

Doze anos depois, em artigo publicado na revista Biology Letters, mais revelações vieram ao público sobre os vestígios de seres vivos encontrados nas cavernas. As novidades foram ossos de dois animais extintos: o urso-de-cara-curta (Arctotherium wingei) e os Protocyon troglodytes, semelhantes aos lobos.

O estudo sugere que estes animais caíram na caverna, a 55 metros abaixo do nível do mar, e morreram. A sorte maior foi dos cientistas, que encontraram os ossos em condições quase perfeitas devido ao local em que os seres se acidentaram, já que o isolamento deixou os restos mortais longe do clima quente do México, que teria erodido esses materiais.

As espécies estavam longe de casa

A expedição de mergulho e suas descobertas deram novas informações sobre as espécies encontradas e seu habitat. Anteriormente, os pesquisadores acreditavam que estes carnívoros eram restritos à América do Sul, mas os fósseis revelaram que eles também viviam mais ao norte.

Na escavação de 2007, os pesquisadores encontraram no local fósseis de antas, gatos dente-de-sabre, pumas e elefantes ancestrais. O fato de a última Era do Gelo resultar na elevação do nível do mar beneficiou as pesquisas. Essas cavernas se tornaram ambientes perfeitos com baixo teor de oxigênio, essencial para a preservação de ossos.

 “Normalmente, como paleontólogo, se vou em uma viagem às cavernas em busca de animais da Era do Gelo, tenho sorte de encontrar um dente”, disse Blaine Schubert, paleontólogo-chefe do estudo e diretor-executivo do Centro de Excelência em Paleontologia do Leste, na Universidade Estadual do Tennessee, disse ao NewScientist.

O cientista comentou também que todos os fósseis recuperados foram datados do final do Pleistoceno, cerca de 11.300 anos atrás. Para Schubert, além do fato dessas espécies estarem fora da América do Sul, o aspecto mais chocante da descoberta é o grupo ter encontrado o melhor registro desses seres ancestrais até o momento.

“Todo o registro anterior desse tipo específico de urso é conhecido apenas em algumas localidades da América do Sul, e esses são vestígios fragmentários”, explicou.

O cientista comentou também que todos os fósseis recuperados foram datados do final do Pleistoceno, cerca de 11.300 anos atrás. Para Schubert, além do fato dessas espécies estarem fora da América do Sul, o aspecto mais chocante da descoberta é o grupo ter encontrado o melhor registro desses seres ancestrais até o momento.

“Todo o registro anterior desse tipo específico de urso é conhecido apenas em algumas localidades da América do Sul, e esses são vestígios fragmentários”, explicou.

“Você pode obter uma investigação do passado que normalmente não espera obter, e essa é a grande vantagem dessas cavernas em Yucatán”, conclui Ross MacPhee, curador de mamíferologia e zoologia de vertebrados do Museu Americano de História Natural em Nova York.

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